quinta-feira, 3 de janeiro de 2008

Solidão humana / conforto espiritual


Jesus ouviu da boca de Pedro, numa determinada altura, as seguintes palavras:

“Senhor, por que razão te não posso seguir agora? Estou pronto a morrer por ti!” João 13:37

Pedro disse que estaria disposto a morrer por Ele. Ah, qual deve ter sido a reacção de Jesus naquele momento, já sabendo ele o que iria acontecer…

Nas alturas mais difíceis, Jesus foi abandonado pelos discípulos… por aqueles que viviam com ele, por aqueles a quem ele deveria estar mais ligado, aqueles com os quais ele partilhava tudo: o seu viver, as suas lutas, o ministério, TUDO.

Ainda assim, sabendo tudo isso, Jesus não deixou de, por exemplo, lavar os pés aos discípulos, naquela que seria a sua última ceia com eles.

E Jesus estava comovido, tinha o coração “apertado”. Diz a Palavra que “Depois de ter pronunciado aquelas palavras, Jesus sentiu-se muito comovido. Então declarou abertamente: ‘Fiquem sabendo que um de vocês me vai atraiçoar.” João 13:21

Jesus estava muito comovido. Imagino-o até com algumas lágrimas nos olhos. Sim, Ele era Deus, mas também 100% humano.

Porém, o pior estava para vir… Jesus no Getsêmane.


Jesus foi falar com o Pai lá. Aproximava-se a hora e ele começou a ficar angustiado. Precisava falar com o Pai.

“Levou consigo Pedro, Tiago e João. Nisto começou a sentir-se angustiado e cheio de aflição, e exclamou: ‘Sinto uma tristeza de morte. Fiquem aí e estejam atentos’. Foi um pouco mais para diante e caindo por terra, pedia muito a Deus que, se fosse possível, o livrasse daquela hora de sofrimento.” Marcos 14:33-5

Jesus caído por terra… angustiado, cheio de aflição, suando gotas de sangue… prostrado, talvez cheio de terra…

Porque teria ele levado consigo 3 discípulos? Sabemos que um deles, João, era o seu discípulo amado. Os outros deveriam ser também os mais próximos, não sabemos.

Porém, em todas as vezes que Jesus se aproximava deles, eles estavam dormindo. Uma das vezes ele perguntou especificamente a Pedro: “Então, nem uma hora conseguiste ficar acordado?” Consigo imaginar os sentimentos de Jesus… Parece que os discípulos afinal não ajudaram muito… pelo contrário, ainda pioraram… porque concerteza Jesus não deverá ter ficado indiferente a esse facto.

Ultimamente tenho pensado muito nesta questão, mas sobretudo vivido… tenho pensado nas vezes em que já disse a Deus: “Amo-te, tu és tudo para mim, quero depender apenas de Ti, o meu coração é todo teu.” Mas depois fico triste se me sinto assim como Jesus nalguns momentos: só.

Nada do que eu possa viver se pode comparar ao sofrimento de Jesus… a expectativa daquilo que O esperava deve ter sido terrível… não foi em vão que os anjos o confortavam no Getsêmane. Ele precisava disso… e naquele momento foi-lhe dado o único conforto que não falha: o de Deus, através dos seus anjos.

“Nisto apareceu-lhe um anjo do céu que veio dar-lhe forças. Jesus estava muito angustiado e orava ainda com mais fervor, enquanto o suor lhe caía no chão, como grandes gotas de sangue.” Lucas 22:43,44

Deus enviou um anjo que lhe deu forças. Conforto espiritual, ajuda espiritual, vinda do alto, enviada pelo Pai.

Precisamos depender exclusivamente desta ajuda, porque qualquer ajuda que não seja esta, falha, é imperfeita, por mais que a intenção de quem a dá seja boa. Ajuda perfeita só pode vir do alto.

Precisamos saber que, mesmo que mais ninguém veja como estamos, Deus vê. Ele está lá, vendo tudo tudo, sentindo o nosso coração tal como ele está, sabendo as nossas necessidades, as nossas expectativas. Ele sim, pode compreender totalmente quem somos. Isso deveria bastar…

Mas a verdade é que para mim nem sempre basta. Porque cada vez que me entristeço por causa de alguém, eu estou a mostrar que o amor de Jesus não me é suficiente, não me torna inabalável.


Estamos habituados a depender das pessoas ou daquilo que nos acontece no dia-a-dia para nos sentirmos bem ou mal. Mas não pode ser assim. Devemos depender apenas de Jesus. JESUS É O IRMÃO PERFEITO, DEUS É O PAI PERFEITO, O ESPÍRITO SANTO É O CONSOLADOR PERFEITO. Os 3 se completam na sua função em nós. E isso é suficiente.

Depois disso, tudo o que Deus nos quiser dar através de quem amamos, deverá ser considerado um extra, um autêntico presente vindo dele, uma prenda daquelas que nos faz sentir tão bem e sorrir…

Mas se Deus resolver nos dar apenas o Seu amor, não usando ninguém mas através dele próprio, que nos possamos alegrar na mesma.

Afinal, quando dizemos que o nosso coração é só dele, que dependemos dele, será que estamos a ser verdadeiros?

O que mais me impressiona em Jesus é o facto de que, apesar de todo o abandono, Ele continuou a cuidar daqueles que estavam perto. Continuou a demonstrar o seu amor. Não disse ou pensou: “Ah é? Se não querem saber de mim, eu também não quero saber de vocês.”

Ele continuou, sabendo que sempre que precisasse, o Pai enviaria outra vez do céu a ajuda tão necessária.

Continuemos também a demonstrar amor, ainda que imperfeito, àqueles que amamos, mesmo que por vezes nos sintamos necessitados desse mesmo amor que damos.

Jesus fez isso. Nós não somos maiores do que Ele. Passamos pelo mesmo e devemos responder da mesma forma.

Jesus, desejo que o meu coração seja todo teu! Que dependa apenas de Ti, meu amado, meu consolador, meu querido irmão, meu querido amigo. Tu bastas no meu viver. Tens-me dado prendas também, e obrigada por esses extras que alegram a minha vida.

Amo-te, Pai, amo-te irmão Jesus, amo-te Espírito Consolador.

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